domingo, 13 de setembro de 2020

"Adorai Adonai...

 As três senhoras de negro entraram... 

A sala reluzia como se houvesse algo escondido, atrás do crucifixo invertido.

Elas não tinham mãos nem pés.

Enquanto se dirigiam ao fundo da sala,murmuravam uma oração em uma língua morta.

Seu hábito,idêntico ao das cristãs.

Olhei para as paredes,sangue escorria,fazendo um tipo de pintura macabra,com seu cheiro peculiar.

Corpos apodrecem nos cantos,alguns empilhados,prontos para serem levados a algum lugar,que não seria de descanso.

Me ajoelhei em um canto,para observar melhor

Dentro dos concessionários,demônios escutavam as mazelas de pessoas confusas.

Algumas eram mortas lá dentro.

As freiras voltaram e passaram por min e sorriram,eu só enxerguei seu sorriso,agora elas deixavam um rastro do que parecia pedaços de corpos liquefeitos.

As freiras eram criaturas soturnas,e decidiam 

seus destinos.

Atrás do crucifixo invertido,havia sacrifícios,com corpos sendo incendiados. 

E toda a casa macabra ecoava ... "Adonai...adonai 

Hatsu


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Na Hora da Morte

 Na hora da morte,dançarei com flores brilhantes, arrancando pétala a pétala.

símbolo da minha tristeza, dançarei descompassada,louca,eu não estarei só.

Todas as minhas entranhas reviradas, estarão expostas,meus sentimentos em carne viva,

Arrancarei um pedaço de ti,e vou por em um amuleto,para me lembrar de te amar todo o dia 

Na chuva o lamento é melhor.

Colocarei teus objetos mais estimados em teu mausoléu,todo ano,um pouco de min fica na visita do que me resta.

A última lembrança,como uma droga,te imagino em um sono em uma caixa.

Devaneio da hora morta.

Hatsu



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Shadowtime

Você me ofereceu presentes,procurei no escuro aquilo que de dia ninguém vê.

Talvez você quisesse saber,as coisas que são só minhas,a luz vai apagar,e as sombras vão te conduzir....

Até onde te guia,onde não tem saída.

Onde a areia te puxa.

Deixando em carne viva.

Infectando toda tua história.

Com o Diabo na Carne,bagunçaram o tempo.

Te ofereço um copo de mágoas,eu sou a fada verde que se banha no absinto...


Hatsu



segunda-feira, 7 de setembro de 2020

 "Talvez Sylvia tenha se precipitado...

nunca colocaria minha cabeça lá mas,eu sempre gostei de ligar o gás e abrir forno,costumo observar para onde as pessoas correm,o que fazem,talvez eu seja uma sádica,uma sociopata,tenha uma inclinação para a classe de psiquiatria,já ouvi por aí que todo o cirurgião tem um assassino adestrado...na verdade não cheguei a formatura,mas eu fui ao baile,e liguei o gás e abri o forno...me elegeram a rainha no final.

Virgínia Karloff

Color Gloomy

 As sombras de Agosto se foram.

Visitei sua lápide no fim de setembro e ela estava colorida,na contramão do P&B da alma.

Então era colorido por fora .

A trilha da estação,continuava sendo Gloomy Sunday,com poucas horas de sol.

Branca como porcelana, mármore branco,todos tem um pouco.

Não importa,a noite eu me viro melhor 

Se eu passar por aí,eu respiro melhor, é uma nova versão...o Color Gloomy.

Hatsu

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Casa

Entrei em uma casa bem pequena,bem pequenina,coloquei uma rosa para te chamar.

Em meio a tantas outras já esvanecidas no tempo,cada uma com um favor,uma permuta peculiar.

Uma casa que ninguém te vê,no teu chão,um pouco da tua existência.

Um retrato antigo,com teu vestido de domingo. adoro esse retrato.

Vou a tua casa,na rua sem nome,na cidade dos que perderam tudo,neste tempo.

As vezes satânica,algumas cólera,outras apenas estou,observo,vejo,alterno. 

percepções,delicadas e quase transparentes como um véu,que vela tua pele.

A tua morada final aqui.


Hatsu






quinta-feira, 3 de setembro de 2020

"Lias"

Déjà-vu,que costurava teu corpo.

Quebrava teus ossos rígidos.

Te furei,esvaziei,o cheiro do deixar de ser invadiu a sala fria.

Substitui teus olhos,te fiz sorrir.

Te pintei,como antes era.

Te dobrei com carinho,o perfume da tua roupa, do mogno que te guardava,me deixava confortável.

Pentiei teu cabelinho,cheio de cachos,te perfumei.

Conversei baixinho ,como se você me ouvisse,devagar,o frio encostava no calor da minha pele,me fez pensar em algo mais. 

Eu esfreguei meu corpo contra o teu, só para deixar a "água temperada" deitei sobre teu corpo morto.

Todos os meus sentidos,estavam gritando.

Em contraponto a tua inércia.

Eu me esfreguei em teu corpo morto,esfreguei até o platô.

Coloquei minhas vestes,e te deixei guardado na tua caixinha,de ti,levei o cheiro de deixar de ser.

Hatsu