segunda-feira, 7 de setembro de 2020

 "Talvez Sylvia tenha se precipitado...

nunca colocaria minha cabeça lá mas,eu sempre gostei de ligar o gás e abrir forno,costumo observar para onde as pessoas correm,o que fazem,talvez eu seja uma sádica,uma sociopata,tenha uma inclinação para a classe de psiquiatria,já ouvi por aí que todo o cirurgião tem um assassino adestrado...na verdade não cheguei a formatura,mas eu fui ao baile,e liguei o gás e abri o forno...me elegeram a rainha no final.

Virgínia Karloff

Color Gloomy

 As sombras de Agosto se foram.

Visitei sua lápide no fim de setembro e ela estava colorida,na contramão do P&B da alma.

Então era colorido por fora .

A trilha da estação,continuava sendo Gloomy Sunday,com poucas horas de sol.

Branca como porcelana, mármore branco,todos tem um pouco.

Não importa,a noite eu me viro melhor 

Se eu passar por aí,eu respiro melhor, é uma nova versão...o Color Gloomy.

Hatsu

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Casa

Entrei em uma casa bem pequena,bem pequenina,coloquei uma rosa para te chamar.

Em meio a tantas outras já esvanecidas no tempo,cada uma com um favor,uma permuta peculiar.

Uma casa que ninguém te vê,no teu chão,um pouco da tua existência.

Um retrato antigo,com teu vestido de domingo. adoro esse retrato.

Vou a tua casa,na rua sem nome,na cidade dos que perderam tudo,neste tempo.

As vezes satânica,algumas cólera,outras apenas estou,observo,vejo,alterno. 

percepções,delicadas e quase transparentes como um véu,que vela tua pele.

A tua morada final aqui.


Hatsu






quinta-feira, 3 de setembro de 2020

"Lias"

Déjà-vu,que costurava teu corpo.

Quebrava teus ossos rígidos.

Te furei,esvaziei,o cheiro do deixar de ser invadiu a sala fria.

Substitui teus olhos,te fiz sorrir.

Te pintei,como antes era.

Te dobrei com carinho,o perfume da tua roupa, do mogno que te guardava,me deixava confortável.

Pentiei teu cabelinho,cheio de cachos,te perfumei.

Conversei baixinho ,como se você me ouvisse,devagar,o frio encostava no calor da minha pele,me fez pensar em algo mais. 

Eu esfreguei meu corpo contra o teu, só para deixar a "água temperada" deitei sobre teu corpo morto.

Todos os meus sentidos,estavam gritando.

Em contraponto a tua inércia.

Eu me esfreguei em teu corpo morto,esfreguei até o platô.

Coloquei minhas vestes,e te deixei guardado na tua caixinha,de ti,levei o cheiro de deixar de ser.

Hatsu 


Pek pek pek

 Uma praga de voodoo

Pek,pek,pek

Brincando no escuro,te quebrei em mil pedaços.

Uma reza maldita,na madrugada gelada,as corujas eram testemunha.

Pek,pek,pek....

Reza de voodoo,a morada cheia de pecados,que inunda a alma .

Apodrece prece,desmerece o futuro da dinastia 

Pek,pek,pek...

Almas negras engolindo o ser quase sem vida.


Hatsu

quarta-feira, 2 de setembro de 2020


 " Tenho vontade de rasgar a carne e costurar diversas vezes,como se cobrisse uma parte feia que ninguém quer ver...

Virgínia Karloff

Sala Gelada

 Eu vi cenas de ódio.

Todos os loucos confusos,correndo sem destino.

Todas as moradas abertas,dentro delas,escapavam suas memórias.

O resto do que foi,cercado de flores mortas.

Orações altas mais adiante,como um acalanto 

para o sofrimento.

A morte ao fundo,como anfitriã,algumas velas apagam,outras acendem.

As sombras se confundiram na pequena sala

Senti tua pele gelada nós lábios.

A tua carne desmanchando, atrás das flores,

tua face ,cheia de adornos internos,a falsa alegria do fim desgraçado.

Talvez sentisse melhor em te guardar em um lugar secreto.

Reza ao contrário,reza a lenda,reza baixinho ....


Hatsu