sábado, 24 de outubro de 2020

Riscos


Risquei o chão com teu chamado. 

Abri a passagem para teu tormento 

Demônios e criaturas sem rosto me rodeavam 

esperando a palavra maldita.

Me vesti com roupas que havia enterrado ali

algum tempo atrás,me inebriando de morte.

O difícil dialeto,uma fala desconexa,um torpor dá sentido ao teu mundo nefasto.

Não te entreguei rosas,te roguei o impronunciável.

A época dos ventos,o dia que não descansa,

passa em tormentos,roubando um pouco teu espírito,dissolvendo a caixa de teus absolutos 

Desmontando, envenenando...cólera te darei em pequenas doses,arrancando, apodrecendo,fazendo em pedaços,abrindo um baú de desgraças.

Você poderia estar aqui por estes dias?

Você está aqui estes dias?

Os mausoléus estão todos abertos,lágrimas levarão teu ódio tolo,e beberei a cólera doce 

Abrindo uma fenda maldita no chão.


Hatsu





segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Praga

Sangue em terra cheia de dor,entrei para espiar tua desgraça,atear fogo em tua loucura.

Conversei com demônios,no final de tudo,um tiro em teu pensamento vil,o que sobra de tua existência,um pouco eu guardo,um pouco eu como,um pouco eu enterro. 

Te velarei em vida,talvez sinta os vermes te devorarem.

Evoquei os mais antigos, confeccionado presentes malditos.

Entortei tua alma,rezarei horrores.

Não abra este livro,não é boa coisa.

Maus agouros são tua raiz,um chão maldito,te engole,perdendo a sanidade gritando,sugada como areia movediça,todos foram tragados.

O melhor do pior no banquete de carnes podres. um homem morto,outro e outro,todos em camas de aço,senti uma atração gelada,..

E se o melhor dos tanatologos,te deixasse bem ereto,teria uma "petit mort".

Banharia me,com teus restos drenados,

O sangue novo,me renovaria como Elisabeth.

Te degolei para,me ajeitar na cama de louça.

Ali repousarei,apreciando teu desespero.

Alguns demônios não podem ser evocados.

Todos aqueles que refletem o espelho.


Hatsu





Cura

Uma sala cor de ouro,todas as pessoas usavam túnicas antigas de linho.

Tantas pessoas deitadas,o silêncio tomava conta.

Não entendi porque estava ali,observando moribundos.

Não estava entre eles, não fazia parte daquele lugar. 

Um hospital que fica muito longe,não reconheci ninguém ali.

Estou longe.


Hatsu



terça-feira, 6 de outubro de 2020

Legião

Revirei minha caixa de desgraças.

te contarei uma estória,com final triste.

acendi o fogo,me lembrei de uma oração maldita 

Chamei a minha "entourage" para te mostrar de onde venho,tua existência em miséria.

Uma reza maldita na casa dos meus,ceifando os teus,um Deus do outro lado da moeda .

Não posso deixar de achar engraçado,quando caminho por este cemitério de impafia inconsequente.

Não existe um jogo de lágrimas,só o vazio de tua estória,uma ironia...um plagio...revisitado....


Hatsu


domingo, 4 de outubro de 2020

Mentor

Morreu o mentor.

Me desmanchei em branco como todos os outros 

Te beijei,te adorei em último vislumbre.

Tua última morada,inundada de pragas.

O tambor lento e triste,vibra na sintonia da tua partida.

Teu último desfile,uma multidão de tristeza e vazio,entoa o lamento baixinho.

Todos os olhares se cruzam em um desespero morno,adestrado, conformado.

Você talvez estivesse feliz e rindo de tudo isso.

Uma incompatibilidade de servos de senhores 

dá o tom da caminhada.

Você deveria entoar algo aqui ?

Onde estão seus colares?

A chuva rala e gelada desenha a saída perfeita.

Entre os corredores caminhando ao contrário, exercito minha percepção.

Ohh...vem o homem de saias,com sua arrogância anunciando um único senhor,com suas coisas idiotas e medíocres.

Ao inferno com seu livro de mentiras.

Todos os valores dos Deuses da senzala,te fazem reverência,todos os altares estão fechados.

Não existe dança hoje.

Apenas tua pequena eterna caminha sendo embalada pelos teus.

Lágrimas caindo sob a madeira rígida,encharcando tua bandeira.

A moldura de concreto confirma teu retorno ao cerne.


Hatsu