segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Morgue


 Entrei na sala,todas as pessoas estavam deitadas repousando,algumas cansadas demais,outras com uma expressão de sofrimento,outras perderam a hora...

O ar gélido fazia uma névoa,como nos filmes,pedi que desligassem o ar pois,estava congelando,e a ponta de meus dedos estavam ficando com um tom azulado...não me ouviram...

Outra pessoa estava na sala de cerâmica branca até o teto,havia um crachá,era um ajudante ,um atendente,mais alguém...

Pedi que desligassem o ar,eu estava congelada...porque não me ouvia também?

Porque não me davam atenção? " Eiiii moço desligue esse ar por favor,não consigo me mexer de frio"

Murmurei algum desaforo para uma das pessoas que dormia,só para saberem que estava achando inapropriado esse tratamento,evidente que não obtive nenhum consolo,estava dormindo .

"Eiiii alguém pode me ouvir nesta sala,seus mal educados?

Os ajudantes não estavam mais,haviam saído e esqueceram o ar ligado de propósito...

Eu me levantei e tentei desligar esse ar,não consegui,meu olhar desviou para a placa que em letras maiúsculas, já perdendo a tinta,dando a orientação...

MORGUE

....


Hatsu



segunda-feira, 2 de novembro de 2020


 "Se morte e mistério então...toda morte eu sou...


Virgínia Karloff


Pain Carpet

Andando debaixo do sol,no escuro do chão 

Brotam,pragas,lágrimas,desamores,derrotas a dor como "pain carpet".

Coloquei minha roupa domingo,renda negra borra a tristeza,troquei a água suja e renovei tuas flores preferidas,nunca te agradou os crisântemos,óbvio sempre foi "óbvio"

Gérberas laranjas grandes e opulentes,levei todas,para te mostrar minha dor.

Sentando no mármore gelado,me recordo da última vez que te encontrei...gelado,me lembro dos teus vazinhos azuis em teu rostinho e teus lábios que pareciam o batom da moda .

Teu corpinho frio e rígido,tentei te abraçar um pouquinho,tinha o peso de 20 homens do cais.

Era tão quente lá fora,eu me sentia tão bem tocando em ti,um falso sorriso,como um bonequinho que se monta,para agradar na tua última reunião.

Tua roupa nova,teu sapato,teu perfume,tuas coisas todas,na tua caminha nova de mogno.

Tudo está debaixo de min agora,se me esforço sinto o teu cheiro,me perguntado se toda tua carne já foi servida,ou se és só halloween.

Me embriaguei de whiskys caros,e conversamos por horas

Nem era preciso o gelo,o dedo girando dentro do copo,já soltava o malte.


Hatsu


Contrastes

 Fechei os olhos,cheguei a tua morada, haviam porta retratos,as imagens estação borradas.

Tua mobília antiga e escura,contratava com o verde do gramado,que espiei pela janela.

Não havia morte ali,era uma casa de muitas pessoas,cores vívidas,claras...

Abri os olhos, canções fúnebres ao fundo  uma sala escura.


Hatsu


sábado, 24 de outubro de 2020

Riscos


Risquei o chão com teu chamado. 

Abri a passagem para teu tormento 

Demônios e criaturas sem rosto me rodeavam 

esperando a palavra maldita.

Me vesti com roupas que havia enterrado ali

algum tempo atrás,me inebriando de morte.

O difícil dialeto,uma fala desconexa,um torpor dá sentido ao teu mundo nefasto.

Não te entreguei rosas,te roguei o impronunciável.

A época dos ventos,o dia que não descansa,

passa em tormentos,roubando um pouco teu espírito,dissolvendo a caixa de teus absolutos 

Desmontando, envenenando...cólera te darei em pequenas doses,arrancando, apodrecendo,fazendo em pedaços,abrindo um baú de desgraças.

Você poderia estar aqui por estes dias?

Você está aqui estes dias?

Os mausoléus estão todos abertos,lágrimas levarão teu ódio tolo,e beberei a cólera doce 

Abrindo uma fenda maldita no chão.


Hatsu





segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Praga

Sangue em terra cheia de dor,entrei para espiar tua desgraça,atear fogo em tua loucura.

Conversei com demônios,no final de tudo,um tiro em teu pensamento vil,o que sobra de tua existência,um pouco eu guardo,um pouco eu como,um pouco eu enterro. 

Te velarei em vida,talvez sinta os vermes te devorarem.

Evoquei os mais antigos, confeccionado presentes malditos.

Entortei tua alma,rezarei horrores.

Não abra este livro,não é boa coisa.

Maus agouros são tua raiz,um chão maldito,te engole,perdendo a sanidade gritando,sugada como areia movediça,todos foram tragados.

O melhor do pior no banquete de carnes podres. um homem morto,outro e outro,todos em camas de aço,senti uma atração gelada,..

E se o melhor dos tanatologos,te deixasse bem ereto,teria uma "petit mort".

Banharia me,com teus restos drenados,

O sangue novo,me renovaria como Elisabeth.

Te degolei para,me ajeitar na cama de louça.

Ali repousarei,apreciando teu desespero.

Alguns demônios não podem ser evocados.

Todos aqueles que refletem o espelho.


Hatsu





Cura

Uma sala cor de ouro,todas as pessoas usavam túnicas antigas de linho.

Tantas pessoas deitadas,o silêncio tomava conta.

Não entendi porque estava ali,observando moribundos.

Não estava entre eles, não fazia parte daquele lugar. 

Um hospital que fica muito longe,não reconheci ninguém ali.

Estou longe.


Hatsu