segunda-feira, 30 de novembro de 2020

All Dead

Cheguei em casa,achei estranho meu gato não estava na sala de estar,me esperando como era de costume,gritei por Silvia,a casa estava silenciosa demais,ouvi ecos pela casa,meu irmão mais novo já deveria ter voltado da escola,..

Um estranho pensamento tomou conta quando fui avançando pela casa,a mesa posta,notei que a comida já estava fria,no começo da escada que levava ao andar superior,o papel de parede estava rasgado,avistei o gato na parte de cima,subi contente e apreensiva pois o silêncio continuava,agarrei Stuart aliviada,percebi que seu pelo estava molhado, não era mais uma de suas travessuras,virar o pote de sua água...o líquido era sangue...eu corri para os quartos,todos estavam deitados no chão inertes...

eles estavam mortos,todos mortos...

eu ouvi algo lá na cozinha,desci estarrecida tomada pelo torpor da visão terrível.

Desci as escadas,eu não tinha mais forças para correr até a cozinha...eu restava no teto!!!do alto me vi deitada como os outros,do meu crânio saia fumaça...

Todos estavam no teto ...


Hatsu

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Aquarela



Bati na sua porta e ninguém me atendeu,talvez você pudesse ter ido em algum lugar sem min...procurei a volta,somente estranhos pessoas sem memória,invadiam a retina,esperei próximo ao jardim da casa,perto da roseira,havia uma pintora a beira do lago...

Trajava saia de veludo verde, chapéu da mesma cor,uma paleta repousa sobre as mãos, extremamente claras,vendia suas pinturas por prazer e amor ao que fazia,era seu ofício predileto,eu observava o azul emoldurando o que parecia o céu,a sua direita um banco de madeira,tive vontade de sentar ali,observar de perto,fui sempre arrebatada pela arte...

Não,preferi deixá-la só,sozinha tinha as melhores inspirações,olhei para trás,percebi um olhar de um admirador,a tela refletia um certo movimento, apenas quisera poder saber como seria a tela pronta fiquei lá quase imóvel...

Não me importei,a obra me tomava por inteira,eu queria aproveitar toda a luz,fazia sol e era domingo,não havia quase ninguém na rua...

Era domingo e eu não achei que poderia causar desconforto,vislumbrar seu trabalho...

Me senti bem gastando meu domingo assim

Eu morava ali próximo as casas dos artesãos.

Fiquei até o fim do dia,ao voltar percebi que morava nas casas dos artesãos...eu também moro lá.


Hatsu







sábado, 14 de novembro de 2020

Nada

Olhei para trás,fui afrente ...

Não havia nada,nada de nada 

O nada sendo consumido por um imenso buraco cheio de nada.

Não havia o que esperar,esperando atrás de uma porta trancada,eu perdi a chave.

Eu me deixei,procurei na bagunça do sótão,algo que pudesse reconsiderar.

Me parti em um trilhão de pedaços bem pequenos, impossíveis...

Me vi em perspectiva,últimas desgraças em celulose,tomei combinados,vislumbrei como seria em outro.

Corte no horizonte...cor intensas em tom de vermelho...vermelho...rosa...


Hatsu



 



segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Morgue


 Entrei na sala,todas as pessoas estavam deitadas repousando,algumas cansadas demais,outras com uma expressão de sofrimento,outras perderam a hora...

O ar gélido fazia uma névoa,como nos filmes,pedi que desligassem o ar pois,estava congelando,e a ponta de meus dedos estavam ficando com um tom azulado...não me ouviram...

Outra pessoa estava na sala de cerâmica branca até o teto,havia um crachá,era um ajudante ,um atendente,mais alguém...

Pedi que desligassem o ar,eu estava congelada...porque não me ouvia também?

Porque não me davam atenção? " Eiiii moço desligue esse ar por favor,não consigo me mexer de frio"

Murmurei algum desaforo para uma das pessoas que dormia,só para saberem que estava achando inapropriado esse tratamento,evidente que não obtive nenhum consolo,estava dormindo .

"Eiiii alguém pode me ouvir nesta sala,seus mal educados?

Os ajudantes não estavam mais,haviam saído e esqueceram o ar ligado de propósito...

Eu me levantei e tentei desligar esse ar,não consegui,meu olhar desviou para a placa que em letras maiúsculas, já perdendo a tinta,dando a orientação...

MORGUE

....


Hatsu



segunda-feira, 2 de novembro de 2020


 "Se morte e mistério então...toda morte eu sou...


Virgínia Karloff


Pain Carpet

Andando debaixo do sol,no escuro do chão 

Brotam,pragas,lágrimas,desamores,derrotas a dor como "pain carpet".

Coloquei minha roupa domingo,renda negra borra a tristeza,troquei a água suja e renovei tuas flores preferidas,nunca te agradou os crisântemos,óbvio sempre foi "óbvio"

Gérberas laranjas grandes e opulentes,levei todas,para te mostrar minha dor.

Sentando no mármore gelado,me recordo da última vez que te encontrei...gelado,me lembro dos teus vazinhos azuis em teu rostinho e teus lábios que pareciam o batom da moda .

Teu corpinho frio e rígido,tentei te abraçar um pouquinho,tinha o peso de 20 homens do cais.

Era tão quente lá fora,eu me sentia tão bem tocando em ti,um falso sorriso,como um bonequinho que se monta,para agradar na tua última reunião.

Tua roupa nova,teu sapato,teu perfume,tuas coisas todas,na tua caminha nova de mogno.

Tudo está debaixo de min agora,se me esforço sinto o teu cheiro,me perguntado se toda tua carne já foi servida,ou se és só halloween.

Me embriaguei de whiskys caros,e conversamos por horas

Nem era preciso o gelo,o dedo girando dentro do copo,já soltava o malte.


Hatsu


Contrastes

 Fechei os olhos,cheguei a tua morada, haviam porta retratos,as imagens estação borradas.

Tua mobília antiga e escura,contratava com o verde do gramado,que espiei pela janela.

Não havia morte ali,era uma casa de muitas pessoas,cores vívidas,claras...

Abri os olhos, canções fúnebres ao fundo  uma sala escura.


Hatsu